
Vale a pena manter status se eu não viajo todo mês?
Por muito tempo, status em programa de fidelidade foi tratado como símbolo de quem vive no aeroporto. A imagem clássica é a do executivo que embarca toda semana, conhece o nome da tripulação e já sabe qual portão vai usar antes mesmo do aplicativo atualizar.
Mas a realidade mudou.
Hoje, muita gente conquistou status sem ser viajante frequente. E aí surge a pergunta que ninguém responde de forma direta. Se eu não viajo todo mês, ainda faz sentido manter status?
O que realmente significa ter status
Status é o seu nível dentro de programas como Smiles, LATAM Pass e TudoAzul. Conforme você sobe de categoria, desbloqueia benefícios que vão além do número de milhas acumuladas.
Entre eles estão bagagem gratuita ou com desconto, prioridade no embarque, marcação de assento com menos custo, bônus maior em milhas voadas e, em alguns casos, acesso a sala VIP.
No papel, parece sempre vantajoso, na prática, depende de como você viaja.
A matemática que quase ninguém faz
A maioria das pessoas analisa status como um prêmio. Poucos analisam como investimento.
Imagine alguém que viaja três vezes por ano com a família e sempre despacha mala. Cada trecho pode custar mais de cem reais por pessoa. Em uma viagem de ida e volta, o valor sobe rápido. Se o status elimina esse custo, ele já começa a se justificar.
Agora imagine quem nunca despacha bagagem, não liga para prioridade e viaja apenas com mochila. Nesse cenário, o impacto financeiro do status diminui drasticamente. A pergunta certa não é se você viaja todo mês. É quanto você economiza nas viagens que faz.
Conforto também entra na conta
Viajar em alta temporada muda completamente a experiência. Aeroportos lotados, voos cheios, menos flexibilidade.
Quem viaja em julho, dezembro ou feriados sabe que qualquer vantagem operacional ajuda. Embarcar antes, ter prioridade em caso de remarcação e conseguir escolher assento sem pagar taxa podem transformar a experiência para melhor. Mesmo que a frequência seja baixa, o impacto pode ser alto.
O papel dos clubes na estratégia
Há outro fator que precisa entrar nessa análise…os clubes. Muita gente mantém vínculo com programas de fidelidade por meio de clubes como Clube Smiles, Clube LATAM Pass, Clube TudoAzul, Clube Livelo e Clube Esfera.
Esses clubes oferecem pontos mensais, acesso a campanhas exclusivas e bônus maiores em transferências. Para quem acumula pontos no dia a dia usando Livelo ou Esfera e depois transfere para Smiles, LATAM Pass ou TudoAzul em promoções com bônus, o volume pode crescer sem depender apenas de voos.
Isso não significa que o clube mantém status sozinho. Mas significa que você continua ativo dentro do ecossistema mesmo nos meses sem embarque. Para quem não viaja todo mês, essa pode ser a diferença entre estratégia e estagnação.
Quando manter status deixa de fazer sentido
Existe um ponto em que status deixa de ser ferramenta e vira apego. Se você está pagando caro para manter nível, não usa sala VIP, quase não despacha mala e não aproveita prioridade, talvez esteja investindo em algo que não retorna.
Também é preciso reconhecer quando o padrão de viagem mudou. Talvez você viajava muito antes e agora não viaja mais. Talvez a fase de vida seja outra. Status precisa acompanhar sua realidade atual, não a sua memória de viagens passadas.
Status ou milhas para emitir passagem
Para quem viaja pouco, pode fazer mais sentido priorizar milhas para emitir passagem do que status. Milhas reduzem o custo do voo. Status melhora a experiência no aeroporto. Se o seu orçamento é limitado, a prioridade costuma ser viajar pagando menos. Já o conforto vem depois.
A armadilha da corrida de fim de ano
Todo ano, muitas pessoas fazem voos extras apenas para renovar status. Compram passagens desnecessárias para atingir a meta. Em muitos casos, o dinheiro gasto nessas viagens seria suficiente para pagar bagagem e assento nas próximas viagens sem depender de status. Antes de correr atrás de pontos qualificáveis, vale fazer uma conta honesta.
Então vale a pena manter status se você não viaja todo mês
Vale quando ele reduz custos reais e melhora viagens que de fato acontecem. Vale quando você usa os benefícios com consciência. Vale quando faz parte de uma estratégia maior que envolve clubes, transferências com bônus e planejamento.
Não vale quando ele se transforma apenas em título dentro do aplicativo. No fim das contas, status não é sobre frequência. É sobre intenção. Se ele está alinhado com a forma como você viaja hoje, mantenha. Se não está, talvez seja hora de simplificar e direcionar energia para o que realmente aproxima você da próxima emissão.