Ilustração em aquarela do interior de um avião em perspectiva horizontal, com fileiras de assentos parcialmente iluminados pela luz do sol, representando oferta limitada, demanda e variação dinâmica no valor de passagens com milhas.

Por que o valor em milhas muda todo dia?

Se você já entrou no site de uma companhia aérea para emitir uma passagem com milhas e, no dia seguinte, viu que o valor aumentou, você não está sozinho.

Muita gente pesquisa hoje, encontra uma passagem por 35 mil milhas, pensa um pouco, volta no dia seguinte e descobre que agora custa 52 mil. A sensação é de que alguém apertou um botão só para complicar.

Mas não é isso que acontece. O valor em milhas muda todo dia porque ele segue a mesma lógica do preço em dinheiro. As companhias aéreas usam sistemas inteligentes que ajustam os valores conforme procura, disponibilidade de assentos, data da viagem e até comportamento do mercado.

Milhas não são moeda fixa

Muita gente acredita que milhas funcionam como dinheiro parado numa conta. Mas não é assim.

Milhas fazem parte de programas de fidelidade como:

Esses programas não são bancos. Eles são sistemas comerciais que acompanham a lógica das companhias aéreas.

E companhias aéreas trabalham com algo chamado gestão de receita. Em termos simples, isso significa vender cada assento pelo maior valor possível, de acordo com a demanda.

Se muita gente quer viajar no mesmo dia, o valor sobe. Se pouca gente procura aquela rota, o valor pode cair. Isso vale tanto para reais quanto para milhas.

O que faz o valor em milhas subir ou cair

Agora vamos entender os fatores principais.

1. Demanda por aquela rota

Imagine que estamos perto do Carnaval no Rio de Janeiro. Milhares de pessoas querem voar para o mesmo lugar, na mesma semana.

O sistema entende que há muita procura. Resultado: o valor em milhas sobe.

É o mesmo mecanismo que define preço em dinheiro. Segundo explicações da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), as companhias aéreas utilizam tarifas dinâmicas, que variam conforme oferta e procura. Milhas seguem essa mesma lógica.

2. Quantidade de assentos disponíveis

Cada voo tem um número limitado de assentos. E apenas uma parte deles é destinada a resgates com milhas. Se os assentos mais baratos acabam, o sistema passa a oferecer os próximos, que exigem mais milhas.

Não é que o voo ficou mais caro do nada. É que a classe tarifária mais barata acabou. O portal Melhores Destinos frequentemente explica esse fenômeno ao analisar promoções relâmpago e emissões com pontos.

3. Proximidade da data da viagem

Quanto mais perto da data do voo, maior tende a ser o valor. Isso acontece porque, perto da viagem, a companhia entende que quem está comprando tem urgência. E urgência quase sempre significa disposição para pagar mais.

Com milhas acontece o mesmo. Emitir com antecedência geralmente significa pagar menos milhas.

4. Alta temporada e feriados

Férias escolares, Natal, Réveillon, Carnaval e grandes eventos aumentam a procura. Quando o calendário aponta datas muito desejadas, os valores sobem automaticamente. É por isso que uma mesma rota pode custar:

30 mil milhas em março

75 mil milhas em dezembro

Sem que a distância tenha mudado.

5. Modelo dinâmico de precificação

Antigamente, muitos programas usavam tabelas fixas. Por exemplo: Brasil para Estados Unidos: X mil milhas. Brasil para Europa: Y mil milhas. Hoje, a maioria trabalha com modelo dinâmico.

Isso significa que o valor acompanha o preço em dinheiro. Se a passagem custa mais em reais, tende a custar mais em milhas.

Essa prática já foi tema de discussão em veículos como InfoMoney, que explica como programas de fidelidade passaram a adotar modelos mais flexíveis e imprevisíveis.

Por que parece que muda todo dia

Você pode estar se perguntando: mas por que às vezes muda de manhã para a noite? Porque os sistemas de precificação funcionam em tempo real.

Se 20 pessoas compram o mesmo voo em poucas horas, o estoque da tarifa mais baixa pode acabar rapidamente. O sistema recalcula e o valor sobe. Não é pessoal… É matemática.

Milhas perdem valor com o tempo

Outro ponto importante é que milhas não são investimento. Elas podem sofrer o que o mercado chama de desvalorização. Se um programa decide que determinada rota agora exige mais milhas, o saldo que você tinha passa a comprar menos.

É como se o poder de compra diminuísse. Por isso especialistas recomendam não acumular milhas por muitos anos sem usar.

Então milhas não valem a pena?

Valem, sim. Mas precisam ser entendidas como ferramenta estratégica.O erro mais comum é olhar apenas para o momento do resgate. A grande diferença acontece antes, no acúmulo.

Se você acumula pouco, qualquer passagem vai parecer cara.Se você acumula bem, o mesmo valor em milhas pesa muito menos.

Por que parece que sempre está caro

Existe um detalhe que quase ninguém explica. Muita gente acumula pontos de forma desorganizada. Compra direto no site da loja. Não acompanha bônus de transferência. Não compara programas. Quando chega a hora de emitir, descobre que precisa de muito mais milhas do que imaginava.

O problema não é só o valor dinâmico. É o acúmulo fraco.

Como se proteger da variação de milhas

Agora vem a parte prática.

1. Pesquise antes de transferir

Depois que você transfere pontos do banco para o programa aéreo, não tem volta. Sempre simule o valor antes. Compare dias próximos. Às vezes mudar a viagem em um dia reduz milhares de milhas.

2. Evite datas muito concorridas

Se puder viajar um pouco antes ou depois do feriado, o valor pode cair bastante. Flexibilidade é uma das maiores vantagens para economizar milhas.

3. Compare programas

Uma mesma rota pode custar valores diferentes em:

Nunca presuma que todos estão cobrando igual.

4. Entenda que o melhor momento nem sempre é hoje

Às vezes o valor está alto porque a procura está alta. Acompanhar por alguns dias pode mostrar padrões.

Milhas não são sorte

O maior erro é tratar milhas como algo mágico. Elas seguem regras claras de mercado. Oferta, procura, disponibilidade e tempo. Se você entende esses quatro pontos, a variação deixa de assustar.

O papel da organização no acúmulo

Existe algo que pouca gente percebe, o valor muda todos os dias, mas a sua capacidade de acumular também pode mudar.

Se você usa programas de pontos do cartão, clubes de fidelidade e compras bonificadas de forma coordenada, pode multiplicar seu saldo. E quando você multiplica seu saldo, a variação diária perde força.

Porque você não depende de juntar milhas lentamente. Você acelera o processo.

O que dizem especialistas brasileiros

O site Valor Investe já publicou análises mostrando que programas de fidelidade adotam políticas comerciais semelhantes às das companhias aéreas, incluindo reajustes e alterações em tabelas de resgate.

Isso confirma que a lógica não é aleatória. É modelo de negócio.

Quando muita gente quer o mesmo voo, o valor sobe. Quando pouca gente quer, pode cair. Milhas não são mistério, são matemática. E quando você entende isso, deixa de se frustrar e começa a agir com inteligência.

A pergunta deixa de ser “por que está tão caro hoje?” E passa a ser “como posso acumular melhor para pagar menos quando for emitir?” Porque no fim, o valor muda todos os dias.

Mas estratégia muda o resultado.